Para falar de Creed e necessário voltar no tempo a exatos 40 anos e falar do início da história de uma lenda, que faz parte da história do cinema o lendário Rocky Balboa, personagem clássico criado por Sylvester Stallone em 1976, que tem muito a ver com a vida do ator, que brigou para levar o personagem aos cinemas, além de escrever o roteiro, ele fez questão de só vende-lo ao estúdio (Warner) caso ele interpretasse o personagem, e passou de ator desacreditado a indicado ao Oscar de melhor ator, mas levou o premio de melhor roteiro pelo filme Rocky (1976). Com tempo a história do boxeador da Filadélfia se tornou uma franquia de altos e baixos, abrindo mão da dramaticidade e se tornando um saga de entretenimento e ação. Mesmo com mais diversão e menos dramaticidade, a saga continuou a ganhar fãs e fazer sucesso, mas após um péssimo quinto filme (Rocky V, 1990), parecia que o boxeador estava morto e sepultado. Consequentemente alguns anos depois a carreira de Sly também declinou, eis que em 2006, Stallone escreve e dirige a volta do veterano boxeador, resultando num ótimo filme, nos moldes do primeiro da saga, trazendo todo o peso e a dramaticidade de um personagem que já superou todos os golpes que vida lhe deu e os venceu, Rocky Balboa é a redenção do personagem e de Sylvester Stallone, se lá o protagonista está velho e ninguém mais acreditava em sua volta, sua carreira também vivia o mesmo dilema, no longa ele vive um velho ícone que só quer mais uma chance, algo que ele também precisava em Hollywood, resultado à volta por cima de ambos e uma aposentadoria digna para Balboa, além de uma sobrevida para o ator veterano nas telas, chance que Sly aproveitou com unhas e dentes (ou luvas e socos), e no ano seguinte ele ressuscitou mais um ícone do cinema, também roteirizando, escrevendo, dirigindo e atuando ele trouxe, o veterano soldado John Rambo de volta, em um ótimo quarto filme. E como uma fênix ressurgiu, e os resultado, todos nos já sabemos (Os Mercenários e etc).
Stallone não tinha mais planos de reviver o Balboa e achou que o último longa era o adeus digno do seu personagem eis que Ryan Coogler, jovem diretor de Fruitvle Station tem a ideia de fazer um spin off (derivado ou franquias paralelas que ocupam o mesmo universo de outra saga) de Rocky mostrando a ascensão do jovem Adonis, filho do rival e amigo de Rocky; Apollo Creed, mas para a ideia funcionar era necessário o aval de Sly e sua volta ao personagem mesmo que desta vez seja como coadjuvante e como mentor do jovem lutador. Depois de muita insistência Sly decide voltar ao personagem, e o papel de figura "paterna" do jovem Creed ficou perfeito, seu personagem está afastado do mundo do pugilismo e recluso, ele reluta se esquiva, mas decide treinar o jovem como dívida de gratidão e amigo Apollo (que o treinou antes de sua morte). Com um enredo envolvente Michael B.Jordan traz toda a fúria de um jovem criado em orfanatos, para os ringues, Stallone que dirigiu quase todos os filmes da série (II, III, IV e VI), desta vez só atua e nunca tenta ser o protagonista, fator que fez bem para sua atuação se em 76 ele ganhou uma indicação e em 2006, também não fez feio mostrando novamente que sabe atuar, agora sem o peso do protagonismo (e sem dirigir), parece que só o fez bem, Stallone tem aqui ao lado atuações citadas e de Cop Land (papel em que ele engordou 20 quilos) a melhor atuação de sua carreira, seu personagem carrega um passado de glória, porem sofrido e que ganhou lutas, mas perdeu todos que amava, e sua expressão deixa bem claro que se pudesse ele abriria mão de tudo, fama e títulos pela felicidade ao lado dos amigos que se foram e principalmente Adrian, sua esposa morta por um câncer. A cada monólogo em que a câmera foca nele, ele fala frases de efeito sobre a sua vida, é nítido em seu rosto o pesar do tempo, chegando a lembrar muito seu ex-corner Mickey.
Creed não é só Stallone ou Rocky ele faz jus ao nome, Michael B. Jordan é pura emoção, raiva e agressividade, nos mostra que tem muito de seu pai ali. A trama nos mostra o jovem Adonis um garoto que passou por vários reformatórios após a morte de sua mãe, o jovem é procurado pela viúva de Apollo, que mesmo sabendo que o garoto é fruto da infidelidade do falecido marido, ela adota o jovem e o cria como filho, os anos se passam e mesmo Adonis tendo uma boa vida, ele decide larga tudo, e parte para a Filadélfia, em busca do sonho de se tornar um boxeador profissional, e para isso ele pede ajuda de Rocky, a trama é eficiente e nos prende, mas além das atuações perfeitas, vale destacar a direção excelente de Coogler, sua câmera e ágil, ele filma varias cenas em pleno sequência (sem corte), inclusive algumas lutas, ele usa e abusa da câmera no ombro, de forma brilhante principalmente a sequencia do clímax final. Onde somos levados num plano só, do vestiário até o ringue, como se fossemos o protagonista do filme, a luta final é surreal, sentimos cada golpe. A forma que ele nos apresenta o oponente nas sombras, como se fosse o seu pior pesadelo é brilhante, seu maior medo vem da escuridão e quando Creed o enfrenta e tudo se apaga, é somente os dois estão naquele imenso ginásio é como um sonho e para Creed tem resquícios de um pesadelo enfrentar um campeão em meio a um estádio inteiro gritando pelo oponente, é realmente um pesadelo e Ryan Coogler (escolhido pela Marvel para dirigir o filme do herói, Pantera Negra) filmou de forma fantástica, cada golpe em que o suor escorre ou o sangue, é sentido no telespectador.O filme faz parte do universo Rocky e até da cronologia, mas pode ser visto por todos, que vão se emocionar e vibrar, agora para os fãs da franquia, vão vibrar ainda mais e até socar o ar, e quando a trilha finalmente sobe, a famosa música tema, que esteve ali sempre presente no filme, de uma forma muito sutil em todo seu decorrer, e você fica aguardando por ela, e quando finalmente ela toca é de encher os olhos, e se emocionar, pois o legado do garanhão italiano, após 40 anos ainda vive, e nos emociona e nos leva as lágrimas. E se o mundo do cinema tivesse se um Hall da Fama, Stallone e seu Rocky estariam lá com certeza, mas como não tem, a gente torce pelo Oscar, que já vai ser como um título para este lutador.
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Avaliação:
Critica:9
Público:9,5
Filmes Inc.:9,5
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