
By Rg.
O Conselheiro do Crime pode ser considerado um filme de atrativos. Em
meio a tantos, é difícil achar alguém que não se interesse por este longa metragem, um deles ter o conceituado diretor Ridley Scott, um roteiro de Cormac McCarthy, mesmo autor dos best-sellers Onde os Fracos Não tem Vez e A Estrada, mas o maior de todos os atrativos é o elenco que estampa o poster, com nomes de peso em
Hollywood na atualidade, encabeçados por Michel Fassbender, que já trabalhou com
o diretor em Prometheus, Penélope Cruz, Javier Bardem, Cameron Diaz e Brad
Pitt.
Na trama, Fassbender vive um advogado bem sucedido, com diversos contatos
e clientes no mundo do crime, onde fez amigos e ganhou respeito. Pelo seu conhecimento na areá jurídica, fica conhecido como Conselheiro, sempre procurado pelos seus empregadores sobre o que fazer (ou não) e suas
consequências, sereno e calmo, sem se envolver a fundo, nunca cedeu às
pressões para faturar alto de seu "amigo/cliente" Reiner (Javier Bardem), um traficante bon vivant
que vive no México com sua bela namorada Malkina (Cameron Diaz). Além dos
grandes clientes, ele também atende os convencionais, que o estado lhe
encaminha e faz visitas constantemente a presídios, inclusive levando cigarros àqueles menos afortunados que vestem o uniforme
laranja, fazendo o contra ponto de sua carreira, hora visitando seus principais clientes em grandes
mansões, hotéis de luxo e festas.
Conselheiro (como ele é chamado durante todo o filme) vive avesso a tudo isso, principalmente quando
está com sua bela esposa Laura (Penélope Cruz), mas viver em meio a tentações
não é fácil, principalmente convivendo diariamente com elas. Depois de muita
insistência de Reiner, ele decide arriscar e investir em conjunto com o mesmo, e
outro amigo em comum, Westray (Brad Pitt), e um carregamento que vai ser
transportado de Juáres para Chicago de forma bem discreta (caminhões de esgoto
adaptados, afinal poucas autoridades vão parar um caminhão cheio de merda e
vasculhá-lo). Antes de investir no que seria sua aposentadoria, o protagonista passa de
conselheiro a aconselhado: todos ao seu redor o orientam desistir dos riscos
do negócio e suas consequências, porém sua experiência lhe diz o contrário, que é
um ótimo negocio sem risco aparente, e o momento de fazer uma única jogada e
parar.
Como em qualquer jogo, nem sempre o principiante tem sorte e neste caso a
falta dela vale milhões de dólares e vidas.
Uma coincidência
envolvendo uma presidiária cliente sua, a quem ele fez um favor (o pagamento de uma simples
multa de trânsito, para seu filho), que de alguma forma tem ligação com o esquema em questão, culmina no desaparecimento do caminhão com toda a mercadoria, algo até
comum neste ramo - afinal, nem sempre a mercadoria chega a seu destino, quartéis
adversários às vezes interceptam a mercadoria ou a própria policia, e cada um
arca com seu prejuízo -. o problema aqui é que para o alto escalão, o
envolvimento do Conselheiro é muita coincidência, pois havia uma ligação direta
de sua cliente com a mercadoria, mesmo sem que ele saiba. Este cataclisma de
eventos o levou a ser o principal suspeito de ter tentado enganar o quartel e
faturado tudo sozinho, e ainda todos que estavam investindo consigo (Reiner e Westray) foram dados como
cúmplices, fazendo com que o grande baralho comece a desmoronar.
Numa reviravolta surpreendente,
descobrimos quem nem todos são o que aparentavam ser e quem você menos desconfia
está dando as cartas; cada uma das escolhas tomadas tiveram consequências graves, que afetaram todos a seu redor e fizeram com que até os mais próximos questionassem a integridade do Conselheiro
(Fassbender), mesmo que ele tente consertar tudo, o caos já está instaurado.
A trama é envolvente, mas sempre num ritmo desacelerado, que mesmo nos
agradando é morno. Se fosse mais dinâmico estaríamos mais aflitos,
roendo as unhas a cada emboscada ou reviravolta. Outro fator em que o filme deixa a desejar é no desenvolvimento dos personagens, mesmo sendo um longa de duas
horas, os personagens são apresentados de forma rápida, Ridley Scott os joga
nas telas e você deduz e interpreta se eles são ou não o que parecem. No caso do próprio
caso protagonista (Conselheiro), mesmo tendo mais tempo de tela para podemos
julgar melhor sua índole, ainda sabemos muito pouco sobre seu passado, só podendo assim julgá-lo pelos diálogos com Reiner, que questiona o porquê ele ficou tentado a investir somente agora (nós também não sabemos).
Mesmo com alguns erros, O Conselheiro do Crime é um filme acima da
média, pelo seu ótimo elenco e atuações excelentes de todos os protagonistas, porém a grata surpresa é Cameron Diaz. Num elenco competente de indicados ao Oscar, Cameron consegue se destacar mais que todos numa atuação fantástica - longe da atriz que conhecemos de comédias e filmes ruins -, resta saber se sua
atuação é superior a do elenco ou do mesmo nível e, por ser a mais
superestimada de todos, se sobressaiu ou apenas surpreendeu. Enfim, O
Conselheiro do Crime tinha tudo para ser um excelente filme e acabou sendo
apenas um bom filme, com um ótimos atores (algo que pode aumentar sua nota),
vale a pena ser visto pelos seus atrativos (que são muitos), e por ter a cena de
sexo mais exótica do cinema nos últimos anos, que como os envolvidos
nela, nós também estamos de queixo caído até agora.
Um conselho para quem vai ver o filme, além dos atrativos tem um ótimo
diretor e mesmo se fosse ruim, qualquer produção deste nível tem que ser
vista, nem se for para depois se arrepender de não ter sido bem aconselhado
sobre o filme.
Avaliação:
Filmes Inc.:7,5
Critica:7
Público:7,5












