by Rg.
A Visita seria mais desses filmes de terror baratos conhecidos como; Found Footage (filmes perdidos), que inundam nossos cinemas todos os anos e caem no esquecimento dias após ser visto, ou passaria despercebido para muitos. Mas um detalhe que estampa seu pôster, muda toda a perspectiva sobre o filme, o fato de ter o nome de M.Night Shyamalan na direção, para os desavisados o indiano foi um dos principais nomes do cinema nos anos 2000, começando a carreira de forma impecável com o divisor de águas; O Sexto Sentido, seguido do ótimo Corpo Fechado, seguido de Sinais e a A Vila, ambos acima da média, mesmo apresentando alguns poucos defeitos. Mas nada tirasse o brilho deste início de carreira do diretor que chegou a ser comparado com Alfred Hitchcock, o problema é que de lá para cá, a carreira dele desandou, e foram só equívocos, um seguido do outro; A Dama da Água, Fim dos Tempos, O Ultimo Mestre do Ar e Depois da Terra, nestes dois últimos ele mudou de gênero e trabalhou sob a supervisão do estúdio, sem a liberdade criativa que ele tinha nos seus filmes "menores" e no seu gênero, que era sua especialidade, e mesmo assim naufragaram junto com sua carreira. Agora ele volta ao gênero que o consagrou e tenta se atualizar, pois o terror moderno de hoje quase que se resume, no gênero de filmagens amadoras, semi-documental, como se as filmagens fossem encontradas após o ocorrido, não parece ser a escolha mais sensata, pois ambos, tanto ele, quanto o gênero, já estão escassos e precisam deste acerto, para terem sobrevida em Hollywood, agora se a combinação deu certo?Acompanhe a critica a seguir.
A Visita nos conta a história dos irmãos Becca e Tyler, que moram com sua mãe divorciada na cidade grande, que está começando um namoro pela primeira vez depois anos da separação de seu pai, e visando a felicidade da mãe, eles decidem passar um fim de semana com os avós, que eles ainda não conheciam no interior, para que sua mãe possa sair num cruzeiro com seu amante.
O estilo documental é justificado pelo fato da mais velha Becca, estar fazendo um documentário sobre a família, inclusive para entender por que a mãe se afastou dos avós, antes mesmo de eles nascerem. Shyamalan trabalha bem a premissa, alternando usando e muito o humor no início, antes que o suspense tome conta do longa, algo que não demora a acontecer, quando Becca quebra uma das regras impostas pelos dóceis avós, que é de se deitar as 21:30 e não sair do quarto após este horário e quando a garota vai até a cozinha a procura de um biscoito, se depara com sua avó totalmente alterada e fora de si, gemendo e arranhando paredes e portas, e a curiosidade dela que registra tudo, é a mesma do público, que também quer saber que segredo os dóceis velhinhos guardam.
Até o fim do primeiro ato tudo funciona bem, inclusive o alívio cômico, que é quase todo feito por Andy, só que no segundo ato, onde era para o suspense e tensão tomar conta do filme, ele ainda divide espaço com o humor, pois sempre depois (ou até antes) de alguma tensão e suspense, temos uma piada,algo que causa incomodo no decorrer do longa, tornando difícil entrar no clima do filme.
A Visita tem bons momentos mostrando que Shyamalan ainda sabe o que faz, mas por ser um filme bipolar, fica difícil se envolver na atmosfera gerada, além de se tornar cansativo, suas piadas (que nem deveriam estar no terceiro ato) perdem a graça, e o suspense e a expectativa sobre o que esta havendo, e o porquê de tudo aquilo, não é convincente, e não condiz com a expectativa criada em seu início.
A Visita assim como a carreira de seu diretor, é bipolar e alterna entre bons momentos e a monotonia, e entre o humor e comédia. E a carreira de Shyamalan também sofre desta bipolaridade, onde já foi excelente, e hoje é bem ruim, e para o seu bem (e do cinema), esperamos que ele ainda tenha chance de mostrar seu potencial e se reencontrar o mais breve possível, antes que seja tarde.
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Avaliação:
Critica:6,5
Público:7,5
Filmes inc.:6
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