O Lobo de Wall Street novo filme de Martin Scorsese, que repete pela quinta vez a parceria entre ele e o ator, Leonardo DiCaprio, assim como no futebol, em time que esta ganhando não se mexe, time esse que ainda não fez um filme ruim vide; Gangues de Nova York, O Avidador, Os Infiltrados e A Ilha do Medo.
Adaptado do livro homônimo, que conta as memórias de Jordan Belfort, que no início dos anos 90 fundou um escritório de corretores que vendiam ações no backstage (por fora) de Wall Street, sua firma não vendia as grandes ações, as que estavam bombando no mercado convencional, eles vendiam ações de empresas emergentes (ou não), empresas de garagem, se tornavam majors, que tinham suas ações à preço de banana e seus corretores as faziam parecem uma "real" oportunidade de fortuna, em suas ligações e discursos de vendas, ludibriando seus acionistas.
A Stratton Oakmont, atraia muitos corretores pelo fato de ser fora do mercado convencional de Wall Street, oferecendo uma porcentagem de 50% por venda, isso os incentivava a venderem mais, e todos (menos o investidor ganhavam), algo bem parecido com o mostrado em outro muito bom filme do gênero; O Primeiro Milhão, que também foi levemente baseado nas atitudes da empresa de Jordan, mostrando o lado mais obscuro da bolsa de valores, ao contrário de outro famoso filme do gênero dirigido por Oliver Stone; Wall Street Poder e Cobiça, que mostrava como o milionário investidor Gordon Gekko (Michael Douglas), que manipulava o mercado e ações para conseguir se dar bem.
Neste longa Scorsese consegue reunir um pouco de vários de seus e personagens, em uma unica película, seu Jordan tem muito de Sam (Ace) vivido por Robert De Niro, em Cassino, que também teve uma ascensão meteórica em Las Vegas, onde regeu com punho firma um império de cassinos comandados por ele, representando a máfia, Jordan também tem um Q de Howard Hughes, que tem que ter (ou possuir) tudo que vê, desde mulheres a bens materiais, Belfort também tem muito de Frank Costello, vivido por Jack Nicholson em Os Infiltrados, principalmente pelo fato de ambos terem vindo da pobreza e ganharam status, fama e respeito, outra peculiaridade em comum, são seus discursos e sua liderança.
O Lobo de Wall Street é de longe um dos filmes mais exagerados e polêmicos, de Martin Scorsese, que já nos choca logo em sua sequência inicial, ao sermos apresentados a Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), que nos apresentada ele próprio, nos narrando os eventos de forma convencional, e hora se comunicando diretamente conosco (telespectador), Jordan nos deixa a par de seu estilo de vida e excessos, nos mostrando tudo nos mínimos detalhes, seu vícios são mostrados na pratica nos minutos iniciais, vícios (que não são poucos) que vão desde bebidas, como ao nos dizer, que toma mais de uma dezena de um drink por dia (sem contar outros derivados), ele também é dependente de medicamentos e por ultimo seus vícios mais frequentes; drogas e sexo, que ele nos mostra numa tacada só, numa sequência onde ele cheira cocaína, nas partes intimas de uma garota, enquanto transa com ela, após o choque inicial, ele decide nos mostrar melhor como tudo começou, e como ele chegou até ali.
Jordan chegou a Wall Street como muitos jovens corretores, que apontam diariamente por lá, à procura de um emprego em alguma firma de renome, ou a primeira que lhe abrir as portas. Em seu primeiro emprego ele vai trabalhar numa destas empresas de médio porte, em Wall Street, e logo cai nas graças do seu chefe vivido pelo ótimo Matthew McConaughey, que lhe ensinou muito, deste negócios a masturbação, aprendizado que foi fundamental após um colapso na bolsa de valores, que resultou na quebra de diversas firmas menores (inclusive a sua), acontecimento que quase o fez mudar de ramo, até que ele decide recomeçar por baixo, numa empresa que vende por fora, que lhe rendeu status, para um tempo depois fundar a sua própria firma.
Jordan recruta pessoas com perfis totalmente distintos dos engravatados da bolsa, ele emprega vendedores, independente do que eles vendem (alguns deles, vendem inclusive, drogas), mas sim pelo poder de persuasão, e os treina como corretores, sua pequena firma, logo se torna uma das maiores, nos bastidores de bolsa de valores, chegando a incomodar as majors (grandes).
Com o sucesso, começam os excessos; que vão desde festas milionárias em mansões, regradas de muita bebida, drogas e sexo, viagens (também regradas a sexo), sexo, que por sinal, que faz parte da rotina diária de seu mundo, que nos conta detalhadamente as orgias em sua firma, e até como são os níveis das prostitutas, incluindo seus valores e o que elas topam.
O elenco é um espetáculo à parte, Leonardo DiCaprio da um show, repetindo as ótimas atuações do ultimo ano (Django, J.Edgar e O Grande Gatsby), seu Jordan é tão bem interpretado, que mesmo, sendo o que seria um "vilão", afinal ele engana, rouba, cheira, bebe e ostenta, sua interpretação e tão carismática, que nos pegamos torcendo para ele, sempre querendo que ele escape de qualquer perigo, o elenco coadjuvante também esta acima da média; Jonah Hill, que já se provou na comédia, aqui mostra sua veia séria novamente, depois do ótimo O Homem que Mudou o Jogo, Margot Robbie (linda) que vive sua bela esposa.
O Lobo de Wall Street beira a perfeição, e já figura entre um dos melhores filmes de Scorsese, só não é perfeito, que mesmo tendo três horas de duração ele é muito resumido em alguns momentos, principalmente em sua linha temporal, exemplo, quando Jordan esta surgindo, algumas etapas são puladas, como a evolução e crescimento de seu escritório que é apenas perceptível, ao percebemos o tamanho de seu escritório, mas não é mostrada nem narrada, ou em que ano o filme se encontra durante alguns acontecimentos, só sabemos que é em meados dos anos 90, pois o longa se inicia em 1987, e pela tecnologia disponível no decorrer do filme; como pages e computadores de mesa, deduzimos em que ano estamos situados (não custa nada colocar uma legenda, informando em que ano estamos a cada evolução), pois mesmo tendo uma ascensão rápida, público que saber quanto tempo levou de seu primeiro emprego como corretor, até o segundo, a seu próprio escritório e ao luxuoso segundo, e assim por diante.
Problemas que podem não fazer diferença para muita gente, e que não tiram o brilho do quinto filme desta dupla, que como já citei beira a perfeição, e logo irão encontra-la, se continuarem neste ritmo, só tenho um pedido tragam os ex-colaborador do diretor Robert De Niro no próximo também, dai quem sabe cheguem à perfeição definitiva, afinal em time que esta ganhando não se mexe, mas neste caso Scorsese tem um craque e amigo no banco, dai pode mexer sim.
Avaliação:
Critica:8,5
Público:8
Filmes Inc.:9