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segunda-feira, 28 de março de 2016

007 Spectre

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By Rg.

Quando Daniel Craig assumiu o papel de James Bond em 2005 muitos (como eu) torceram o nariz pelo fato do ator não ter o perfil do agende mais famoso e glamouroso do cinema, depois de ver Cassino Royale ficou bem claro o que estúdio pretendia e Craig se encaixava perfeitamente nesta reinvenção do agente, agora ele não era mais um quarentão bon vinvant e sedutor, que usava e abusava de gadgets para enfrentar e fugir de seus inimigos. E para esta nova roupagem, Cassino Royale foi o escolhido, por ser o primeiro livro escrito por Ian Fleming sobre o espião e nunca ter sido adaptado aos cinemas (devido uma briga juridica) e também por contar o seu início como agente, eles nos mostra um espião mais novo e cheio de preparo físico, quase um verdadeiro brucutu, e Daniel Craig com seu perfil rústico se encaixava perfeitamente neste novo 007, que distribui socos, porradas, e até usa o parkour, ao perseguir seus oponentes. Coincidência ou não, o filme lembrava em muito outro longa de espião que foi sinônimo de sucesso nos anos 2000; Jason Bourne, que era praticamente o oposto de Bond, muito mais plausível, ao contrário de tudo que saga sempre foi. A tentativa ousada foi acertada, seus filmes foram sinônimo de sucesso, acalmando até os fãs saudosistas, e agregando novos admiradores para a franquia.

Pela primeira vez na saga os filmes tinham uma sequência direta, algo inédito antes (que até facilitava a troca de atores), os filmes de Craig eram um reboot (reinvenção) da saga, e a franquia nunca faturou tanto, o último filme Skyfall faz um bilhão pelo mundo. Para alegria dos mais saudosistas, os filmes atuais não ignoravam totalmente o estilo clássico, alguns elementos estavam por lá (Martínis batidos e Auston Martins), e os que não estavam, foram sendo inseridos novamente, de forma bem sutil, como, as menções aos gadgets e os personagens clássicos como M, Q e Moneypenny. Agora que este "novo" o ciclo está se fechando e Daniel já está no quarto filme (com contrato para mais um), e parece que vai mesmo passar o bastão, com a franquia encontrando o estilo clássico, como é possível ver em Spectre.
Uma das minhas principais críticas a este novo filme, é exatamente essa, o estilo Bourne ágil e até brucutu do Bond de Craig, se tornando os Bond clássicos, além dos gadgets e personagens clássicos estarem sendo introduzidos, o perfil do espião vai mudando e se assemelhando aos antecessores, só que um dos problemas deste longa é este, Daniel Craig não é galanteador e muito menos charmoso, sua falta de glamour é tanta, que toda cena em que ele aparece sem terno ou smoking, ele parece tudo menos um espião, e muito menos 007.
Outro incomodo deste novo filme é que cada vez mais que ele chega próximo aos anteriores, os perfis não se encaixam é como se tudo mudasse num piscar de olhos, para dar um exemplo mais fácil, é como ver o universo criado na franquia; Cavaleiro das Trevas por Christopher Nolan um Batman mais plausível e pé no chão, mais policial, num universo real, agora imagine se eles fizessem um quarto filme, e nele este Batman enfrentasse o Superman (algo que vai acontecer, mas em um novo recomeço onde o mundo dos dois vai coexistir), seria um equívoco.
Problemas a parte, Spectre ainda matem os bons elementos da franquia e executa alguns de forma brilhante, como a sequência inicial no México, além de eletrizante e filmada em
plano sequência (sem cortes). Assim como nos últimos filmes, este longa também entrelaça o destino do nosso espião mostrando que ele está no percalço de uma organização que pode ser responsável por vários atos terroristas pelo mundo. Tais pistas o levam a Spectre que é liderada por Blofeld devido à persistência de Bond de agir impulsivamente, o prejudica e o faz ser afastado por um novo diretor da MI:6, que pretende desativar todos os agentes do programa 00, Bond praticamente tem que agir clandestinamente e sem recursos boa parte do filme. Outro problema do filme (ao contrário dos ótimos Cassino Royale e Skyfall), é seu ritmo, após um ótimo início ele tem uma barriga extensa no seu segundo ato, com poucas cenas que empolgam, entre um bocejo e outro, uma das ameaças do filme interpretado por Dave Batista é ameaçador quase que indestrutível e todas suas sequências de ação funcionam, mas o real vilão do filme o que deixa a desejar; Blofeld vivido pelo ótimo Christoph Waltz era esperando mais, tanto do ator e como do personagem (que é o maior vilão dos filmes da franquia). Sua ideologia não convence, e se Silva (Javier Bardem em Skyfall), já nos intimida no primeiro diálogo que entra em cena, aqui temos o velho papo; você me criou, eu não existiria sem você é etc, muito pouco para um filme de James Bond e ainda mais depois do ótimo vilão anterior, chega a ficar difícil a de acreditar que ele seja o homem por trás tudo.
Mesmo com mais erros do que acertos, o filme não é ruim, e também não está entre os piores da saga, mas fica muito longe dos melhores, é uma pena já que saga vinha em ascensão, e também se for realmente o último filme de um arco iniciado com Daniel Graig esta quadrilogia está se encerrando de forma melancólica, e merecia muito mais, o jeito é o ator voltar atrás e se esforçar para encerrar com chave de ouro, ou já passar o bastão, para que outro ajeite a casa.
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 Avaliação:
Critica:7,5
FilmesInc.:7,5
Público:8,5

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