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segunda-feira, 3 de março de 2014

Robocop

robocop-poster
By Rg.
Robocop é um clássico sci-fi dos anos 80, dirigido pelo Holandes, Paul Verhoven. Só para termos uma ideia da marca que o diretor deixou nos anos 80/90, ele dirigiu este filme e outra referência do gênero, O Vingador do Futuro e pouco depois nos impressionou ao fazer um policial/erotic- thriller  Instinto Selvagem, lançando Sharon Stone para o estrelato.  
O longa de Paul Verhoven era uma critica ao governo, numa visão diatópica do um futuro não muito distante e ultraviolento, Detroit esta destruída e praticamente sitiada, sucumbindo ao crime, policiais decidem fazer greves para cessar as mortes, enquanto os engravatados visando mais o lucro do que a segurança, pretendem colocar armas tecnológicas nas ruas, tais armas seriam robôs, criados para combater o crime, projeto que já nasce fadado ao fracasso, devido ao arbítrio duvidoso das maquinas (mais especificamente Ed 209), que matam primeiro e perguntam depois, Robocop surge como segunda opção, na disputa por uma concessão na policia de Detroit.
Ultraviolento o filme foi um marco para o gênero, para uma geração que cresceu vendo essa violência em plena tarde, mas era uma violência contextual, fazia parte da mensagem que o filme queria nos passar, o filme teve sequências pife-as e até uma série de TV, onde o herói não matava, para não derrubar uma gota de sangue, também tivemos jogos e um desenho animado.   Robocop sobreviveu e atravessou  gerações, boa parte graças à qualidade do seu primeiro filme, que até hoje nos choca e funciona, então por que refilmar ou fazer uma nova versão? Sinceramente o filme de 1987 tem seus defeitos, sendo visto com senso critico de hoje, mas nada que não seja relevado para a época. Não sou contra remakes, até os apoio, mas de filmes que envelheceram e dataram, que não funcionam hoje em dia, mas Hollywood é um centro financeiro, e não pensa como a gente, e por vender uma ideia do zero, (um novo filme inédito) se você pode aproveitar algo que as pessoas já conhecem, então há alguns anos atrás, fomos anunciados do remake de Robocop, com ninguém mais, nem menos na direção que; Darren Aronofsky, diretor consagradíssimo de uma safra de diretores (Christopher Nolan, Zack Snyder e David Fincher), que vem revolucionando o cinema nos últimos 15 anos. 
Mesmo com nossa desconfiança o projeto já começava a empolgar, mas como já virou praxe nos últimos projetos de Aronofsky, que largou o filme, durante a crise da MGM (2010), depois de mais dois anos em suas mãos (inclusive o roteiro era assinado pelo próprio) e foi fazer The Wolverine (Wolverine Imortal), que ele também abandonou, e acabou fazendo Cisne Negro e um épico sobre Noé, neste intervalo.
O projeto foi oferecido a vários diretores e acabou caindo nas mãos do brasileiro José Padilha (diretor dos ótimos Tropa de Elite 1 e 2) que ficou responsável de trazer Robocop de volta para as telas.
Missão árdua, ainda mais para um diretor que esta começando em Hollywood, e já pega um projeto deste porte de um grande estúdio, como a Sony (responsável pelo filme), que quando optam por diretores iniciantes e emergentes, é para ter total autonomia no projeto (não deixando o comandante liderar), sempre acompanhando tudo de perto, opinando e podando.
E não deu outra, após os primeiros dias de filmagens as noticias que Padilha, estava sendo podado surgiam, através do amigo Fernando Meirelles, que disse a imprensa que a cada dez ideias do amigo o estudio rejeitava nove. 
O projeto já era problemático antes mesmo de Padilha assumir pelo fato do filme e ser remake de um clássico Cult/pop dos anos 80, fica uma linha ténue, entre fazer algo igual, e ser comparado ou julgado e desnecessário, ou fazer algo atual, aproveitando a estrutura, ideias e referências do original, e ser questionado por alterar e não respeitar o clássico original. 
Exemplos de ambas as ideias fracassam todo ano: Gus Van Sant fez um remake de Psicose, extremamente fiel, praticamente refilmou o clássico de Hitchcock quadro a quadro, resultado, foi criticado e o filme foi um fiasco, em 2012 refilmaram outro filme do Paul Verhoven; O Vingador do Futuro, o longa fez diversas, mudanças com relação ao original, aproveitou o apenas o esqueleto original do roteiro, mudando lugares e a visão do futuro, resultado o filme foi massacrado, pela imprensa.
Um dos raros exemplos a dar certo é a nova versão de Star Trek dirigido pelo ótimo J.J. Abrahns, que respeitou os personagens originais dando um novo começo que agradou fãs e agregou novos admiradores, restava saber que linha a Sony iria optar, mas uma coisa é fato a cabeça do diretor já estava na guilhotina, antes mesmo de sua estreia em Hollywood, ou ele entra com o pé direito e faz um bom filme, com o que tem em mãos, ou fica rotulado como um diretor de Studio, sem autonomia e personalidade, diretores que são chamados apenas para fazer figuração em filmes controlados por produtores. Robocop tem suas filmagens marcadas para o fim de 2012 sua estreia marcada para agosto de 2013, antes disso as especulações sobre o elenco eram grandes, principalmente envolvendo o protagonista, nomes como; Russel Crowe, Michael Fassbender e Chris Pine, foram cogitados e demostraram interesse, mas o papel filme ficou com o desconhecido, Joel Kinnaman.
O novo filme do policial do futuro é totalmente novo, quase que todo distinto do original aproveitando, alguns elementos da premissa básica.
A trama ainda e a mesma o policial de Detroit, Alex Murphy (agora é investigador) é ferido gravemente, e tem seu corpo reconstruído, como uma maquina que vai ser usada no combate do crime, a partir dai a similaridades já mudam, neste filme os USA, pretendem combater o crime com seus robôs, que são proibidos em seu próprio território, sendo usados somente em pacificações de tropas americanas, pelo mundo, como no Terã, mostrado no início do filme, robôs soldados com portes semelhantes a humanos de armaduras e Ed 209 (maquina de guerra com grande poder de fogo, já utilizado no filme original), patrulham ruas, auxiliados por Drones, evitando mortes de soldados em ambientes hostis.
A OmniCorp quer aprovação do seu governo para implantar sua policia robótica em todo o pais, um projeto esta em impasse na câmera, devido há alguns acharem que pelo fato de robôs não sentir emoção, eles são perigosos para seus filhos, eis que Raymond Sellars (Michael Keaton) e o Dr. Dannet Nortor (Gary Oldman) especialista me proteses, tem a brilhante ideia de ter um humano dentro da maquina, numa tentativa de promover sua empresa é acabar com o crime, Murphy (Joel Kinamam) se torna a cobaia da vez devido a seu estado critico, e passa a ser candidato ao projeto mesmo sem saber, ser colocado numa armadura é única forma dele sobrevier naquele momento, e sua esposa aceita a proposta OCP. 
Robocop como ele é chamado se torna uma espécie de Capitão América, só que invés de um super-soldado para promover a guerra, aqui temos um super policial para aprovar um projeto no combate ao crime.
As diferenças entre os filmes são varias já neste início, ao contrario do original o crime esta num estagio normal, e a ideia e de colocar os robôs nas ruas para diminuir os risco de vida da policia, combater a violência.
O lona também foca na questão moral e ética, de colocar uma pessoa dentro de uma maquina, um medico é responsável por Murphy e sua ética é questionada a cada vez que ele interfere em sua emoção, no original em nenhum momento a ética medica e questionada, e após Murphy voltar às ruas os médicos mal aparecem no longa, já aqui o Dr.Dannet (Gary Oldman, ótimo) e sua equipe são presentes o tempo todo e fazem parte de reinclusão dele na sociedade.
O novo Robocop é ágil e articulado, ao contrario do antecessor, que era um verdadeiro tanque, a visão de tínhamos dos robôs nos anos 80, que eram pesados e lentos, mas que sobreviviam a tudo, praticamente tanques de guerra indestrutíveis, eles não desviavam de balas, apenas iam em direção delas sem as sentir. 
A critica as grandes empresas que visam somente lucro, como a OCP, e usam o bem estar humano, como pano de fundo de campanha, também esta neste novo filme, mostrando que as grandes corporações com sedes em países emergentes como; China, onde usam a mão de obra barata, para mandar seus produtos aos Estados Unidos. 
As pacificações (nem tão bem sucedidas)  de tropas americanas, em países como Iraque e Afeganistão é mostrada de forma elaborada, trocando os territórios citados pelo Terã, inclusive com ataque de homens-bomba (mal-sucedido) contra a tropa robótica.
No filme de 87, Alex Murphy é praticamente abandonado pela família, aqui a presença deles é fundamental pra a trama, deixando seu lado emotivo sempre mais presente, do que o lado robótico, trazendo novos dilemas para o policial, que além de se preocupar com o bem estar de sua mulher e filho, também quer achar os responsáveis pela sua "morte".
Nada contra o longa original (que é excelente), mas se ele fosse feito naqueles moldes, hoje em dia, teriam muitas questões, que o filme não respondeu, apenas jogaram Robocop nas ruas, sem perguntar a população ou justifica-lo, atualmente não funcionaria, hoje as pessoas protestam, e vão ruas se não estão satisfeitas, por isso o roteiro deste novo filme é mais elaborado (menos fascista e menos violento), e muito mais plausível e engajado nas questões da politica de segurança atual.
José Padilha dirige as cenas de ação de forma magistral, seu Robocop é atual, condiz com os tempos atuais, sua parte robô é ágil, se esquiva quando possível, leva tiros e resiste como uma maquina, 
O lado humano de Murphy esta lá, e às vezes quer tomar a rédea da situação e os médicos precisam intervir, levantando questões morais, como o porquê por um humano dentro de uma maquina, quando só queremos que a maquina intervenha, (ao entrar em modo de combate seu visor abaixa, Murphy sai de cena e a maquina entra em ação).
As sequências de ação são eletrizantes e bem filmadas, Padilha que pode não ter interferido no roteiro e no corte final do filme, mas fez muito bem sua parte (para o que ele foi realmente contratado, fazer ação, e isso ele fez muito bem), seu policial do futuro tem consultoria, não faz pose para atirar (como seu antecessor, que levantava uma mão e disparava com a outra), se esquiva como um soldado do Bope, corre, salta e intimida qualquer meliante, inclusive é tão atual, que tem tiroteios em primeira pessoa, no melhor estilo Call Of duty.
Se no filme anterior Robocop era um projeto engavetado, que ganha uma oportunidade com o fracasso do anterior (ED-209), aqui ele é uma esquete publicitaria, visando favorecer uma grande corporação a conseguir uma concessão milionária, para que seus robôs substituam a policia americana, a segurança da população vem em segundo ou terceiro plano.
O elenco desde novo filme e um dos pontos fortes do filme, liderados Joel Kinnaman que faz um Robocop melhor do que seu Alex Murphy no inicio do filme, Gary Oldman faz o Dr. Dennet Norton; medico especialista em próteses, responsável pelo projeto, Michael Keaton, faz o dono da OminiCorp (OCP), que tem uma frota de robôs aguardando que o projeto de lei seja aprovado e ele fature mais do que já tem, Jay Baruchel faz o publicitário/lobista do projeto, e Samuel Jackson faz o apresentador "imparcial" Pat Novak, tão neutro que diz o governo é robofóbico, por não aprovar o projeto pró-robô, e expõe e critica as mazelas americanas em rede nacional, Jackie Earl Haley (Rick Mattox) opositor do projeto desde o inicio, tem um personagem bem parecido com Kruger vivido por Sharito Copley em Elysium.
Pelo elenco escalado já vemos uma grande diferença no enredo deste para o anterior, onde não há ninguém de destaque naquele filme, que era focado somente em Alex Murphy/Robocop.
A trilha do filme tem sua introdução clássica, que entra na abertura de forma rápida e depois volta no decorrer do longa de forma sutil e modificada, mas o rock toma conta do filme (confesso que preferia mais uma trilha em diversas cenas, mas nada que tire o brilho do longa).
José Padilha pode não ter tido total autonomia no projeto, mas, ele ao menos impôs seu estilo, e prova disto é que seu Robocop tem a armadura preta, por que seu policial do futuro é caveira (e caveira veste preto), e como o seu Robocop ou Robobope é sim um filme muito bom, merece vestir preto, por que ele é digno da farda. @RG_FilmesInc                                  @FilmesInc                                       facebook 
Avaliação:
FilmesInc.:8
Critica:7,5 
Público:8,5 
Fãs do anterior:6  

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