Carros velozes são quase que uma paixão mundial do público masculino (e de uma boa parte do feminino).
No inicio dos anos 2000, quando o cinema resolveu explorar o universo dos rachas, tuning e etc, surgiu à franquia Velozes & Furiosos e com ele diversos derivados, mas nenhum tão bem sucedido como a franquia de Vin Diesel, Paul Walker e Cia, o gênero se desgastou, a franquia sobreviveu, mas teve que se reinventar, trazer assaltos e ação fora dos carros, deixando o tuning de lado, e os carros entram em cena só quando necessário; em perseguições e fugas, deu certo os filmes atuais faturam muito mais que os primeiros (também são mais divertidos), Need For Speed surgiu até antes em 1994, mas nos consoles, os jogos da série sobre rachas e perseguições, logo se tornaram sucessos absolutos, até que demorou para chegar nas telas.
Need For Speed pega um mercado que esta quase órfão, só a franquia Velozes & Furiosos esta na ativa (quase que anualmente), os produtores perguntaram, por que não pegar uma fatia deste bolo, afinal tantos filmes e franquias de gêneros iguais, tomam os cinemas todos ano e faturam alto, por que duas sagas de carros não podem coexistir?
Quando se traz algo deste gênero aos cinemas fica um dilema, apenas fazer um filme para se divertir, ou tentar trazer algum conteúdo, com um bom roteiro? (para agradar até os que não curtem o gênero?) A pergunta pairou no ar e com a estreia do filme foi respondida, e resumidamente foi bem assim; para que roteiro, se temos carros velozes, para que roteiro se teremos ação e perseguição? Às vezes só dar ao público o que quer ver funciona?
Need For Speed abre mão de roteiro e entrega diversão, como se fosse o jogo. O longa conta a história de Tobey Marshal (Aaron Paul), que era um jovem promissor piloto local, que após a perda do pai, assumiu sua oficina de restauração de carros, nos fins de semana ele tira racha, e onde ele sacia sua sede de velocidade e fatura algum para ajudar a pagar as contas, que se acumulam desde a partida de seu pai, fazendo com que ele aceite um serviço milionário de seu desafeto Dino (agora namora sua ex, Anita, irmã de seu melhor amigo Pete), o serviço é restaurar um Ford Mustang raro, que vale três milhões de dólares e na venda 25% vai ser dele e sua equipe.
Após o sucesso ele é desafiado por Dino (Dominic Cooper), numa corrida que iria dobrar seu lucro e acabar com suas dividas, nesta corrida Tobey se envolve num acidente e fica preso durante dois anos, ao sair ele pretende correr na De Leon (corrida clandestina anual com premiação milionária e o ganhador leva os carros dos perdedores), além do interesse no premio ele quer acertar as contas com Dino (responsável pela sua prisão).
Com esta trama simples, o filme se apega nas perseguições e rachas, numa cruzada pelo pais, o longa funcionaria muito melhor se fosse apenas isso, e partisse para a diversão sem compromisso, mas o grande problema do filme é este, os produtores e o diretor (Scott Waugh de Ato de Coragem), não fizeram a opção simples para um filme do gênero, mas a mais ousada, a de tentar dar um conteúdo ao roteiro, e isso não deu certo por diversos fatores; o longa tenta ser dramático desde seu inicio, com uma trilha triste, mostrando Tobey e seus problemas (perda do pai e financeiros), enquanto os créditos abrem o longa, após alguns minutos com uma narração do ex-piloto e ídolo local (Michael Keaton), lamentando a ausência de Marshal nas pistas pelo país, o apresentando como um garoto com um grande potencial desperdiçado, logo na sequência como se não bastasse descobrimos que sua paixão esta com seu desafeto (drama mexicano ou filme de ação?), após uma corrida bem filmada pelas ruas do interior de Nova York, temos mais drama, e o filme parte para parte divertida, mas além de o longa nunca abandonar o lado dramático (que por sinal é bem raso e desinteressante), quando ele parte para ação, ela é apenas bem filmada. Mas o resto do filme não convence, nada tem logica e explicação, algumas situações são tão absurdas, que ofendem nossa ignorância, por exemplo; seus amigos e funcionários de sua oficina (aquela que esta prestes a falir),um deles tem uma caminhonete de ultima geração, com computadores e monitores de Led em sua lateral, e radio comunicador com os carros, outro deles pilota um Monomotor usado (mas nada barato) pelo espaço aéreo da cidade, sem dar satisfação a ninguém, e o custo para rodar de avião apenas para auxiliar um racha que paga cinco mil, não tem coerência, e pasmem ele em determinado momento do filme vai para a big aple (Nova York), sem restrições aéreas (pós 11/09), e ainda troca seu monomotor, por um helicóptero no aeroporto local, com uma liberdade que ninguém tem para trocar de carro num estacionamento, sem que um manobrista nos questione. Os absurdos não param, quem em sã consciência libera um carro de três milhões, para um desconhecido, que vai disputar uma corrida ilegal, onde a premiação e apenas dois milhões e os carros envolvidos (se sobrar algum carro), que tipo de corrida é organizada por um ícone do automobilismo, que tem programa na internet, anunciando a tal corrida proibida, que infringe todas as leis americanas e ninguém toma uma atitude, ano a ano.
Quando finalmente achamos que nada mais absurdo vai acontecer, no meio de um racha a policia localiza os infratores e no confronto suas viaturas são abatidas e destruídas, e os envolvidos têm são detidos em cumprem penas leves, ou ainda pior, temos policiais engatando viaturas (dinheiro publico) contra os carros de luxo envolvidos na "corrida" apenas para detê-los, ou um caminhão que surge em determinado momento do filme, e consegue bater num veiculo dirigido por um piloto semi-profissional, que atravessou um estado inteiro sem ser pego, mas consegue ser surpreendido por uma carreta num cruzamentos (hello, e o barulho), qualquer motorista atento iria vê ou escutar uma carreta vindo em sua direção, não tem como ela surgir silenciosamente do nada, há inclusive um os funcionários de Tobey que o ajuda é coronel do exercito (e trabalha numa oficina?).
Desculpe apontar os erros do filme assim desta forma, afinal quem vai um filme deste gênero não procura um Shakespeare, mas alguns destes erros chegam a ser um insulto, se o longa apenas se apegasse a ser mais fiel ao jogo, e não tentasse ser dramático, daria mais certo.
Need For Speed já larga mal num mercado que só tem um oponente (Velozes & Furiosos).
Se como filme de ação sobre carros ele não consegue não convencer, Need For Speed vai ter que comer muito arroz e feijão, para ser um pouco do que Velozes e Furiosos é (tanto em carisma e diversão) e olha que a franquia de Vin Diesel esta longa de ser perfeita, mas ao menos se põe em seu lugar, e nos diverte de forma eficiente e rápida.
@RG_FilmesInc @FilmesInc facebook
Avaliação:
Critica:6
Filmes Inc.:5
Público:8,5
@RG_FilmesInc @FilmesInc facebook
Avaliação:
Critica:6
Filmes Inc.:5
Público:8,5

Nenhum comentário:
Postar um comentário