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domingo, 6 de outubro de 2013

Rush


By Rg.
O mundo esportivo sempre teve um lugar de respeito e destaque na história do cinema, gerando filmes eletrizantes e emocionantes, alguns até dignos de Oscar vide; Rocky O Lutador, Menina de Ouro, entre outros. Curiosamente dois dos esportes mais populares do mundo não tem seu devido espaço em Hollywood, um deles e o futebol e segundo é a Formula 1, coincidentemente são dois esportes que não fazem parte da cultura americana (no caso do futebol isso tem mudado em diversos filmes, e a liga americana vem crescendo), por isso temos uma enxurrada de filmes envolvendo, Basquete, Baseball, Futebol Americano, Golfe e o Hockey, aprendemos até a admirar e gostar de alguns dos esportes típicos dos americanos, através dos filmes.
Rush chega aos cinemas para tentar mudar isso, além de ser um filme sobre o mundo automobilístico, ele é a baseado nos acontecimentos reais, do que para muitos foi um dos melhores anos da F1 (se não o melhor), 1976 o ano em que a rivalidade entre Niki Lauda e James Hunt, passou dos limites e decidiu o campeonato mundial de forma emocionante.
Mas o filme não é só sobre a rivalidade dos pilotos na pista e também fora delas, e como ela começou alguns anos antes na Formula 3, onde eles já se estranharam em seu primeiro encontro, algo que se tornou rotineiro em suas carreiras até fatídico ano. 
O filme tem início em 1970 com Niki Lauda narrando seu inicio na Formula 3, contra á vontade de sua família (tradicional e milionária na Austria), o talentoso piloto era quase um matemático das pistas, já no seu inicio de carreira ele demonstra que para ele não é apenas entrar no cockpit e guiar, tem que ajusta-lo e modifica-lo, para a tristeza dos mecânicos que viravam noites em claro com ele para deixar os carros mais rápidos e leves, logo em seguida temos Hunt narrando seu início de carreira totalmente o oposto, egocêntrico, imprudente, mas não menos talentoso, já para Hunt era o talento de correr conciliado a atitude ousada, nada calculista (ele não esperava a falha do adversário pra ganhar ou ultrapassa-lo ele apenas ia para cima deles, as vezes isso lhe custava o carro e até a corrida).
Os dois eram totalmente opostos algo que motivou ainda mais a rivalidade, para Hunt era perturbador ver um nerd ganhar um mundial, já para Lauda era também perturbador ver um irresponsável, que para ele colocava sua vida e a dos demais em risco, ser campeão. 
As atuações são acima de média desde o elenco principal aos coadjuvantes, principalmente Olivia Wilde que vive Suzy Miller a primeira e polemica esposa de Hunt. Mas um dos pontos altos do filme são as sequências de ação, a corridas e acidentes são extremamente reais, dirigidos pelo ótimo Ron Howard, que fez o filme quase que de forma independente, arrecadou fundos nos bastidores e o rodou quase todo na Europa, provando que os USA dificilmente apoiariam e investiriam em seu filme.
O longa ambienta fielmente os anos 70, inclusive as locações, na hora do GP de São Paulo parece que estamos em Interlagos dos anos 70 (impressionante), os protagonistas dão o show a parte Chris Hemsworth faz um Hunt perfeito, solto, e até fácil de interpretar, pois seu personagem não exigia muita dramaticidade, mas quando o houve, ele não fez feio (nem o visual ele teve que mudar, parece que saiu do set de Thor e veio direto para este), já Daniel Bruhl (Bastardos Inglórios)  faz um Niki Lauda perfeito, isso por que seu personagem era muito mais complicado, tornando sua atuação ainda mais memorável,  sua caracterização é fiel, desde a arcada dentaria ao sotaque e os trejeitos do piloto pragmático, seu personagem esta tão perfeito, que mesmo em boa parte do filme não torcendo por ele (devido ao gênio difícil), é impossível não admira-lo, afinal ele não era um simples piloto, era praticamente um matemático e um engenheiro, sabia regular e mudar carros como ninguém da época. 
Além de ação e emoção, o filme tem sequências ótimas que retratando bem seus personagens, como a que Lauda conhece sua futura esposa, que culmina numa carona com dois italianos fãs de F1, que o pedem para guiar seu carro, e ela nem fazia ideia de quem ele era, ou quando Hunt chega ao hospital após uma colisão ensanguentado, andando como se nada tivesse acontecido, culminando num flerte com a enfermeira. 
O filme tem muitos méritos, mas Ron Howard merece a maioria deles, sua direção é impecável, lembrando o Ron de Uma Mente Brilhante e Frost/Nixon e não o de Anjos e Demônios e O Código Da Vinci, a perfeição é tamanha a ponto de nos perguntarmos a todo momento quem vai ganhar, ou o que acontecer, até para aqueles que já conheciam a história ou já sabem seu desfecho, mesmo assim o filme continua sendo tenso e envolvente, lhe surpreendendo a cada curva. 
Rush é uma das gratas surpresas do ano merece ser visto e talvez até ser lembrado no Oscar, para diretor e ator coadjuvante, trilha, entre outros, espero que como ele largou na frente não caia no esquecimento no ano que vem, e vale destacar que se Rush for um sucesso em solo americano, quem sabe não venham mais, como este envolvendo outras grandes histórias de rivalidades da Formula 1, afinal mesmo o esporte deixando a desejar nos últimos anos ela ainda é o maior evento automobilístico da atualidade, e Rush já é o melhor filme sobre isso. 
@RG_FilmesInc                        @FilmesInc                       PageFacebook

Avaliação:

Critica:9,5

Público:8
FilmesInc.:9

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