
By Rg.
O mundo esportivo sempre teve um lugar de respeito e destaque na história do cinema, gerando filmes eletrizantes e emocionantes,
alguns até dignos de Oscar vide; Rocky O Lutador, Menina de Ouro, entre outros. Curiosamente dois dos esportes mais populares do mundo não tem
seu devido espaço em Hollywood, um deles e o futebol e segundo é a Formula 1,
coincidentemente são dois esportes que não fazem parte da cultura americana (no
caso do futebol isso tem mudado em diversos filmes, e a liga americana vem crescendo), por
isso temos uma enxurrada de filmes envolvendo, Basquete, Baseball, Futebol Americano, Golfe e o Hockey, aprendemos até a admirar e gostar de alguns dos esportes típicos dos americanos, através dos filmes.
Rush chega aos cinemas para
tentar mudar isso, além de ser um filme sobre o mundo
automobilístico, ele é a baseado nos acontecimentos reais, do que para muitos foi um dos
melhores anos da F1 (se não o melhor), 1976 o ano em que a rivalidade entre Niki
Lauda e James Hunt, passou dos limites e decidiu o campeonato mundial de forma
emocionante.
Mas o filme não é só sobre a rivalidade dos pilotos na pista e
também fora delas, e como ela começou alguns anos antes na Formula 3, onde eles já se estranharam em seu primeiro encontro, algo que se tornou rotineiro em suas carreiras até fatídico ano.
O filme tem início em 1970 com Niki Lauda narrando seu inicio na Formula 3, contra á vontade de sua família (tradicional e milionária na Austria), o talentoso piloto era
quase um matemático das pistas, já no seu inicio de carreira ele demonstra que para ele não é apenas entrar no cockpit e guiar, tem que ajusta-lo e modifica-lo, para a tristeza dos mecânicos que viravam noites em claro com ele para deixar os carros mais rápidos e leves, logo em seguida temos Hunt narrando seu início
de carreira totalmente o oposto, egocêntrico, imprudente, mas não menos
talentoso, já para Hunt era o talento de correr conciliado a atitude ousada, nada calculista (ele não esperava a falha do adversário pra ganhar ou ultrapassa-lo ele apenas ia para cima deles, as vezes isso lhe custava o carro e até a corrida).
Os dois eram totalmente opostos algo que motivou ainda mais a rivalidade, para
Hunt era perturbador ver um nerd ganhar um mundial, já para Lauda era também
perturbador ver um irresponsável, que para ele colocava sua vida e a dos demais
em risco, ser campeão.
As atuações são acima de média desde o elenco principal aos coadjuvantes, principalmente Olivia Wilde que vive Suzy Miller a primeira e polemica esposa de Hunt. Mas um dos pontos altos do filme são as sequências de ação, a corridas e acidentes são extremamente reais, dirigidos
pelo ótimo Ron Howard, que fez o filme quase que de forma
independente, arrecadou fundos nos bastidores e o rodou quase todo na Europa,
provando que os USA dificilmente apoiariam e investiriam em seu filme.
O longa ambienta fielmente os anos 70, inclusive as locações, na hora do GP de São Paulo
parece que estamos em Interlagos dos anos 70 (impressionante), os protagonistas dão o
show a parte Chris Hemsworth faz um Hunt perfeito, solto, e até fácil de interpretar, pois seu personagem não exigia muita dramaticidade, mas quando o houve, ele não fez feio (nem o visual
ele teve que mudar, parece que saiu do set de Thor e veio direto para este), já
Daniel Bruhl (Bastardos Inglórios) faz um Niki Lauda perfeito, isso por que seu personagem era muito mais
complicado, tornando sua atuação ainda mais memorável, sua caracterização é fiel, desde a
arcada dentaria ao sotaque e os trejeitos do piloto pragmático, seu personagem esta
tão perfeito, que mesmo em boa parte do filme não torcendo por ele (devido
ao gênio difícil), é impossível não admira-lo, afinal ele não era um simples piloto, era praticamente um matemático e um engenheiro, sabia regular e mudar carros como
ninguém da época.
Além de ação e emoção, o filme tem sequências ótimas que
retratando bem seus personagens, como a que Lauda conhece sua futura esposa, que
culmina numa carona com dois italianos fãs de F1, que o pedem para guiar seu carro, e
ela nem fazia ideia de quem ele era, ou quando Hunt chega ao hospital após uma
colisão ensanguentado, andando como se nada tivesse acontecido, culminando num
flerte com a enfermeira.
O filme tem muitos méritos, mas Ron Howard merece a maioria deles, sua direção é impecável, lembrando o Ron de Uma Mente Brilhante e Frost/Nixon e não o de Anjos e Demônios e O Código Da Vinci, a perfeição é tamanha a ponto de nos perguntarmos a todo momento quem vai ganhar, ou o que
acontecer, até para aqueles que já conheciam a história ou já sabem seu desfecho, mesmo assim o filme continua sendo tenso e envolvente, lhe surpreendendo a cada
curva.
Rush é uma das gratas surpresas do ano merece ser visto e talvez até ser
lembrado no Oscar, para diretor e ator coadjuvante, trilha, entre outros, espero
que como ele largou na frente não caia no esquecimento no ano que vem, e vale
destacar que se Rush for um sucesso em solo americano, quem sabe não venham
mais, como este envolvendo outras grandes histórias de rivalidades da Formula 1, afinal mesmo o esporte deixando a desejar nos últimos anos ela ainda é o maior evento
automobilístico da atualidade, e Rush já é o melhor filme sobre isso.
Avaliação:
Critica:9,5
Público:8
FilmesInc.:9

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