By Rg.

Django Livre chega aos cinemas, para comprovar algo que muitos de nos já sabíamos, que o diretor, Quentin Tarantino já havia atingido seu auge muito antes deste seu sétimo filme, mas a grande dúvida era se ele iria se manter no topo.
Quando Bastardos Inglórios estreou em 2009, para muitos foi seu apogeu, sua grande obra prima. Mas
muito antes de nos mostrar Aldo Reine e seu bando de Judeus bastardos escalpando nazistas, ele nos brindou com; Cães de
Aluguel (92) e Pulp Ficiton (94), era muita perfeição e inovação para quem estava
apenas em seus dois primeiros filmes, logo depois ele fez o apenas muito bom Jackie
Brown (97) e compensou todos, com o fantástico e violento Kill Bill (2002), portanto sempre
que tiver algum filme de Tarantino para estrear, a ultima coisa fazer e questionar
se ele vai nos trazer um bom filme, mas sim, o que mais ele vai homenagear no
cinema, se ele vai conseguir se equiparar-se, por que a cada filme ele tem que se superar (e superar a si
mesmo, quando se é Quentin Tarantino "o Midas" é quase impossível).
Django
poderia muito bem ser mais um filme de Western, homenageando o gênero e um personagem que marcaram época juntos nos anos 70. Mas nas mãos do "midas", qualquer referencia há outros filmes ou homenagem se torna algo surreal e ganha novos
requintes, foi assim em Kill Bill quando ele homenageou os filmes de artes
marciais, com direito a noiva (Uma Thurman), usar praticamente o mesmo uniforme
que Bruce Lee usou em O Jogo da Morte, ainda neste filme ele homenageou,
os animes japoneses. Em seu filme seguinte Prova de Morte (2007), ele prestou uma homenagem ao lado do amigo Robert Rodrigues (Machete), aos filme B´s e trash, que consolidaram o gênero de horror/terror em décadas
passadas, já em seu último filme em 2009, talvez seu auge (comercialmente), pois pela primeira vez ele agradou há todos os públicos e se tornou um sucesso de bilheteria, e de quebra ele nos brindou com uma fantástica homenagem, há um dos maiores fatos históricos, a 2ª Guerra Mundial, com o
excelente, Bastardos Inglórios onde ele esbanja homenagens para todos os lados,
desde os clássicos do Western, em sua narrativa e trilha, entre outros. Agora
ele volta com outro fato histórico o Cowboy Americano, onde
paralelamente ele questiona um fardo história americana, ao mostrar a escravidão que
tomou conta do Estados Unidos (principalmente do sul), tamanha é a referencia ou homenagem, que o
nome do filme e do protagonista, Django (Jaime Foxx de Quero Matar o Meu Chefe), é o nome
do Cowboy dos filmes de western/faroeste italianos (o famoso Western Spaghetti), da década de 60/70, mas como de praxe na
carreira do diretor, seu Django é negro e também um escravo. Tarantino abusa (com maestria ) de todo seu arsenal, desde truques de câmera e etc, para
fundir dois fatos históricos, paralelamente.
O longa nos conta a
história do escravo Django em 1858 (alguns anos antes do presidente Lincoln abolir a escravatura), que encontra em seu caminho o "dentista"
Dr. King Shultz (Christoph Waltz o Hans Landa de Bastardos Inglórios), que
pretende compra-lo, se ele o ajudar há reconhecer seu ex-senhorio, nos rendendo uma sequencia inicial excelente e hilária ao mesmo tempo, logo ali o filme já tem sua primeira reviravolta, o suposto
dentista é um caçador de recompensas e realmente precisa de Django para o reconhecimento, pois seu
próximo alvo é justamente o seu ex-proprietário.
Em troca de sua ajuda ele promete
ao escravo, sua liberdade, algo que Django como qualquer outro escravo almeja,
pois acima de tudo ele busca vingança, pelo que lhe fizeram, com ele e sua
esposa, quando tentaram fugir para ficar juntos. Django pretende encontrá-la e
vinga-la (não necessariamente nesta ordem), após serem bem sucedidos nesta
primeira empreitada, Schultz propõe uma extensão de seu acordo à Django, lhe oferecendo um emprego temporário para o até então ex-escravo, afinal é uma
ótima proposta, pois ele recebe uma generosa recompensa para entregar os foragidos da justiça "vivos ou mortos", mas
sempre à segunda opção que prevalece, Django acha estranho o ofício de seu
novo amigo, mas acha muito boa a ideia de receber para matar brancos, assim ele
conseguira dinheiro suficiente para comprar a liberdade de sua esposa. O filme se divide
em três arcos praticamente, na primeira parte do filme, mostra Django e Shultz
atravessando o solo americano, caçando foragidos e bandos, em busca de
recompensas. Em seu segundo arco eles partem em busca de sua amada esposa (Broomhilda),
sempre colhendo informações em diversas fazendas por onde passam, não
demora até que eles descubram pistas sobre seu paradeiro, pois Broomhilda é uma
escrava diferencia, fala alemão quase fluente, desde pequena ela foi
criada numa fazenda de alemães, e sua senhoria lhe ensinou o idioma para ter
com quem conversar. Neste arco (ou ato), entra outro personagem importante do filme Calvin
Candy (Leonardo Dicaprio de A Origem), que é um dos maiores senhorios (mercadores), da escravidão, com
sua imensa fazenda apelidada de Candyland, onde há desde lutas entre escravos
valendo dinheiro, há um forno onde eles são jogados por dias para servir de
lição caso tentem fugir ou o desobedeçam, em seguida somos apresentados há
outro ótimo personagem Stephen, interpretado por Samuel L. Jackson, que rouba a
cena logo em seu primeiro dialogo.
A química entre Waltz e Foxx é perfeita,
como a de Jackson e Di Caprio, duplas que dividem a tela na maior parte das
cenas e também os melhores diálogos. O plano de Schultz e Django, e convencer
Candy que eles têm interesse sim em seus escravos lutadores, não em sua amada,
para não levantar suspeitas ele pretendem comprar algum lutador, e levá-la consigo na negociação, mas
como todo bom roteiro de Quentin Tarantino, esta história ainda vai render uma
ótima reviravolta.
Django Livre
convence surpreende, e supera as expectativas, de que a cada filme Tarantino tem que se provar e ele ainda tem folego e ideias para isso.
Vale citar que o ótimo elenco sofreu alterações, como
do personagem do título que primeiramente seria vivido por Will Smith, e também
tivemos outras baixas por conflitos de agenda como, Kevin Costner e Sacha Bohen
Cohen e Kurt Russel este deixou a produção sem motivos aparentes.
Avaluiação:
Critica:9
Público:8,5
Filmes Inc.:9,5

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